Hoje quando acordei tudo estava muito quieto, era tão estranha toda aquela situação, será que realmente meus pais irião se separar? Oh, dúvida cruel! Levantei e fui ao banheiro, abri a torneira e enchi minha mão com água, joguei em meu rosto, assim como despertador toca e diz que já é hora de você levantar, mas aquela água era pra um despertar diferente, era um despertar pra vida. Eu sempre fui uma garotinha mimada, a maioria das garotas de minha idade já havia passado por algum momento difícil e elas lidavam tão bem, e eu? Eu só sabia chorar, e dizer que a vida era injusta. Sai do banheiro, e fui até o quarto dos meus pais, não encontrei ninguém, meu coração acelerou, e as piores coisas se passaram na minha cabeça, sentei na cama e me pus à pensar, olhei para um canto e para outro. Encontrei um papel em cima da cômoda, peguei o papel, encostei a porta e comecei a ler, era um desabafo da minha mãe que dizia, mais ou menos assim:
"Ah, meu Deus quisera eu poder ter feito diferente, ele meu grande amor da adolescencia, apaixonado por outra pessoa. E eu? Aqui tendo que usar uma folha de papel como amigo, eu não tenho ninguém pra conversar, essa dor corroí meu coração. Eu não sei se sempre eu consegui fazer o bastante, tanto pra Lavínia, quando pra ele. Eu tenho dúvidas se fui uma boa mulher, uma boa amiga, uma boa companheira, uma boa mãe, me sinto nada de tudo isso. Quisera eu poder fugir de todos problemas... Eu não aguento mais."
Quando terminei de ler, coloquei o papel no mesmo lugar, levantei e fui novamente para o banheiro, ali me tranquei e me olhei no espelho, olhei bem fundo e disse: Sua IDIOTA! Agora, só agora pude compreender o quanto todos aqueles silêncios faziam mal minha mãe, ela se sentia frustrada e eu era uma garota egoísta que poderia ter dado uma mão à ela. Minha vontade era de sumir, ou de consertar todo aquele estrago que parte de mim fez.
Fui para cozinha pra ver se encontrava alguém, achei minha mãe sentada desconsolada no sofá, dei um beijo nela e disse: "Eu te amo, e sempre estarei do seu lado, sei que não compreendo muito bem seus sentimentos, e que desde que nasci nunca fiz muita questão, mas peço desculpas por essas atitudes egoístas", minha mãe me puxou pela mão e me deu um longo abraço, e eu nunca tinha percebido o quanto era gostoso o abraço dela.
Resolvi faltar na escola, pra poder cuidar dela. Fizemos o café juntas, e nos degustamos com Walfer uma longa conversa de mãe e filha, lavamos a louça. Assistimos desenhos, o jornal, a novela, demos muitas risadas, e até falei de Bernardo pra ela, e ela me contou sobre seu primeiro amor. A hora passou muito rápido e quando vimos papai já havia chego do trabalho, meu maior medo era uma nova discussão, mas até que eles se comportaram civilizadamente.
Resolvi deixa-los sozinhos, senti pelo olhar que eles gostariam de conversar. Quando passava pela sala, ouvi alguém gritar meu nome, fui até o portão, e pra minha surpresa era Bernardo e Vitória, ele tinha na mão uma flor amarela muito bonita e viva, e ela uma cesta de biscoitos, eles trouxeram pra mim e disseram esta preocupados já que eu não aparecera na escola. Convidei eles pra entrarem, mas estavam com pressa, só queriam fazer uma visita.
Agradeci a eles de todo meu coração, Bernardo como sempre deu um beijo em meu rosto, Vitória deu um "Até Logo", e eles se foram, cada um pra um lado e eu ficará tão distante com uma flor bonita e uma cesta de biscoitos.
(Lavínia - 17/02/2000)

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