quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cacos

Hoje é domingo,conclui que o amor me acompanha, estou vivendo nas nuvens, lembrando de cada gesto, cada beijo, cada abraço. Resolvi dormir até mais tarde, assim poderia descançar mais um pouco, contudo meu sono foi interrompido por gritos que vinham da sala, imaginei que fossem meus pais, mas eu queria dormir mais um pouco, então eu coloquei a almofada em minha cabeça, pra abafar o som.
Acordei 3 horas depois, a casa estava totalmente em silêncio, e quando me toquei do havia ouvido, desci para sala correndo, não tinha ninguém lá e comecei a procurar os meus pais desesperadamente pela casa toda, a cada cômodo que eu entrava e não tinha ninguém meu coração acelerava para o pior.
Até que entrei no banheiro e tropecei em algo, quando olhei era minha mãe que estava chorando no canto da pia, abracei ela e perguntei o que havia acontecido, ela me dissera que meu pai a bateu, que eles tiveram uma discussão muito feia e ele estava alterado e partiu pra agressão, quando minha mãe levantou o rosto, seu olho estava roxo.
Sentia raiva do meu pai, e me perguntava porque disso tudo. Abracei minha mãe de novo, ela parecia uma frágil menina que acabara de apanhar pelo pai, por causa de uma travessura. Pensei em denúncia, mas como teria coragem de denunciar meu próprio sangue. Pedi pra que ela se levantasse, e tomasse um banho, logo iria preparar um chá.
Ao terminar minha mãe desceu, e foi para seu quarto ainda tremera de medo, mas já não chorava mais. Dei o chá e mexi em seu cabelo para que pudesse relaxar, depois de alguns minutos, minha mãe dormia como um anjo, então resolvi descer e levar a xícara de chá até a cozinha.
Ao colocar a xícara na pia, ouvi um estalo, como coisa caída no chão. olhei para o lado era um vaso que acabava de cair, peguei a vassoura e a pá e fui juntar aqueles cacos, antes que eu pudesse me machucar, peguei um à um, mas percebi que havia algo escrito, juntei todos os pedacinhos e me surpreendera com o que tinha escrito: "Não se pode juntar cacos pela vida, pois se juntar sempre haverá feridas, das quais nunca esquecerá".
Fiquei assustada a ponto de ferir minha mão em um dos pedaços, e começara a chorar desesperadamente...


(Lavínia - 20/02/2000)


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