
Menina-mulher, alegre, sensível, romântica, talentosa, sonhadora, meio preguiçosa, bagunceira, chorona, compreensiva, essa era Duda uma vizinha-amiga, que tive quando morava na grande São Paulo.
Na época em que tínhamos contato Duda estava com 18 anos e eu com 15, me lembro das inúmeras vezes que nos encontrávamos na pracinha da igreja, comprávamos pipoca de Seu Zé e nos deliciávamos trocando filosofias cotidianas, íamos no período da tarde e ficávamos até as estrelas darem seus primeiros sinais de luz.
Um dia em uma de nossas idas a praça Duda estava muito triste, tentei conforta-la de alguma forma, mas não sabia certamente que palavras dizer, resolvemos sentar em um banco, após um instante de silêncio, Duda engoliu o choro e resolveu falar:
"Até então achava que saber compreender as pessoas era um ato bom, mas acho que me enganei, cansei de dizer 'tudo bem' pra tudo e pra todos na realidade nada está 'bem', isso talvez seja só um refugio na hora de não querer magoar, ai lhe pergunto: do que adianta? Se no final quem acaba magoada sou eu mesma. No entanto, uma coisa eu deixo claro e que aprendi, muitas vezes esperamos das pessoas o que somos, é ai que mora o perigo..."
Abracei Duda com toda minha força e carinho, era o que podia e o que conseguia fazer naquele momento, sua respiração estava ofegante e percebi que era impossível engolir algo que precisava sair. Depois de alguns minutos abraçadas, Duda deu um breve sorriso, como céu que acabará de chover e lá de longe já se podia avistar um lindo arco-íris, levantamos, compramos pipoca de Seu Zé e fomos pra casa com um baú de memórias daquele dia, e um pouco de compreensão no olhar...
Na época em que tínhamos contato Duda estava com 18 anos e eu com 15, me lembro das inúmeras vezes que nos encontrávamos na pracinha da igreja, comprávamos pipoca de Seu Zé e nos deliciávamos trocando filosofias cotidianas, íamos no período da tarde e ficávamos até as estrelas darem seus primeiros sinais de luz.
Um dia em uma de nossas idas a praça Duda estava muito triste, tentei conforta-la de alguma forma, mas não sabia certamente que palavras dizer, resolvemos sentar em um banco, após um instante de silêncio, Duda engoliu o choro e resolveu falar:
"Até então achava que saber compreender as pessoas era um ato bom, mas acho que me enganei, cansei de dizer 'tudo bem' pra tudo e pra todos na realidade nada está 'bem', isso talvez seja só um refugio na hora de não querer magoar, ai lhe pergunto: do que adianta? Se no final quem acaba magoada sou eu mesma. No entanto, uma coisa eu deixo claro e que aprendi, muitas vezes esperamos das pessoas o que somos, é ai que mora o perigo..."
Abracei Duda com toda minha força e carinho, era o que podia e o que conseguia fazer naquele momento, sua respiração estava ofegante e percebi que era impossível engolir algo que precisava sair. Depois de alguns minutos abraçadas, Duda deu um breve sorriso, como céu que acabará de chover e lá de longe já se podia avistar um lindo arco-íris, levantamos, compramos pipoca de Seu Zé e fomos pra casa com um baú de memórias daquele dia, e um pouco de compreensão no olhar...

Maravilhoso!
ResponderExcluirAlém de conto, é uma crônica linda!
Existem milhares de Dudas no mundo!
Obrigada pelo R.G., viu?
Beijos