sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mais que Souvenirs


"Gostaria que minhas neuroses - paradas, imóveis, colocadas de castigo com os rostos voltados para a parede, mas sempre à espreita - deixassem de me assustar na hora mais profunda e plácida da noite, congelando meus pensamentos e liquefazendo as sensações, fundindo-as todas em uma poça de suor e esperança.
Amar intensamente o possível e ignorar o distante, difícil, complicado. Andar leve, abandonar o lastro. Nunca mais dizer 'eu odeio', 'trepar' e 'tenho medo'. Dizer muito mais 'sossego', 'adoro quando você fala isso', 'que gostoso', 'sim'. Gostaria de me tornar a materialização de paz satisfeita de um gato ao sol. Trocar a ansiedade deteriadora por uma bala de menta. Ter pele mais grossa.
Gostaria que alguns deixassem de existir para dar espaço para outros andarem mais livres. Sobraria mais ar. Puro. e então essas pessoas seriam mais bobas, comeriam com a mão, teriam auto-ironia, andariam descalças com frequência, cobrariam menos, amariam mais e não veriam a felicidade alheia como uma ameaça à sua própria."
(Techo do texto "Basta querer" de Ailin Aleixo)


Me lembro como se fosse hoje o dia em que li esse trecho, juntamente com outras partes que simplificavam todas as vezes em que perguntava se "Basta Querer?", aquele dia em que você pensa em abandonar tudo e fazer um novo começo, sem muitas cobranças e falsas expectativas.
Onde as pessoas são mais flexíveis e que o dinheiro e souvenirs não tivessem tanto valor, quanto um abraço, um sorriso, um favor de coração, mas apesar de tudo meu único pedido nesse momento (além de poder quebrar o despertador) é um dia de sol em um lugar calmo e distante das coisas fúteis, seria gostoso e pratico como tomar sorvete...
(Minhas palavras, meu pedido)

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