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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Natasha


Ao som do violão eu caminho sem pressa, cada nota é essencial para meus passos.
Eu sei voar, sabia? Aprendi com os "Anjos".
Ao som do violão eu amo, me dou como criança orfã.
Eu sei cantar, sabia? Aprendi com "Andrea Bocelli ".
Ao som do violão eu observo, como aguia que ve a presa.
Eu sei sorrir, sabia? Aprendi com o meu "Dentista".
Ao som do violão eu me desnudo, como mulher da vida em seus showzinhos baratos.
Eu sei dançar, sabia? Aprendi com "Cyd Clarisse".
Ao som de violão eu pixo todas as paredes, como "Miró" pinta seus quadros.
Eu sei enganar, sabia? Aprendi com os "Politicos".
Ao som do violão eu sinto a esperança, como quem acabará de nascer.
Eu sei seduzir, sabia? Aprendi com "Marlin Monroe".
Ao som de violão eu escrevo versos, como "Fernando Pessoa".
Eu sei fotografar, sabia? Aprendi com "Man Ray".
Ao som do violão eu durmo, como uma pedra esquecida.
Eu sei sonhar, sabia? Aprendi com os meus "Pais".
Ao som do violão eu grito, como ferida ardida.
Eu sei rezar, sabia? Aprendi na "Igreja".
Ao som do violão eu sinto os melhores arrepios, como quem sente a brisa.
Eu sei muito sobre marketing pessoal, sabia? Aprendi com a "Publicidade".
Ao som do violão eu digo tchau todas as vezes, como quem bebe a ultima gota de "Coca-cola".
Eu sei, sabia? Aprendi com a "Vida".
Meu nome é Natasha, tenho 25 anos, sai de casa com 15 e me prostituo ao som do violão, como quem foi esquecida pelos próprios passos.
Eu sei, eu sei! Já me acostumei a aprender com "desconhecidos".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quando bate o despero


"E foi naquela noite que não me aguentei, me rendi para o desespero total. Sentada ali no chão de um banheiro público parecendo uma insana, com dores no estômago, uma ânsia muito forte e rezando para que tudo passasse logo, as vozes de quem entrava naquele ambiente me incomodava, e a demora de quem vinhesse me buscar me assustava mais ainda.
Meus olhos reviravam, e o sono eterno parecia se aproximar cada vez mais, pessoas começaram a bater na porta, e eu só ouvia : Ei moça, você está passando mal?
Esperei o silêncio total, assim tinha certeza que não havia mais ninguém, o embrulho foi mais forte e só se pode ouvir o eco naquele lugar, as lágrimas desciam pelos meus olhos, como um ato de alivio e medo.
Depois de alguns minutos, levantei, me higienizei e fui embora, com um olhar pálido de quem viu a morte de muito perto..."

domingo, 16 de agosto de 2009

Anne !


Anne, uma jovem prendada, esforçada e de uns dias pra cá muito angustiada. Já era Agosto, os dias passavam muito depressa e devagar ao mesmo tempo, pra Anne, esse era o tempo necessário para resolver uma parte de sua vida.
Estudava e trabalhava na pequena cidade de Brooking, pelo mês ainda era inverno, o longo frio que preocupava a todos, por causa de um vírus mortal espalhado pelo ar. Anne era inquieta com tudo, e sentia muito medo, tanto por questões pessoas, quanto pela doença que matava muita gente.
Um dia pensando nos seus objetivos e metas, ela resolveu sair do emprego, já estava infeliz naquele lugar que nunca pensou em abandonar, o acomodo fazia parte do cotidiano, deixando-o mais doloroso e cansativo, Anne queria sentir aquele friozinho na barriga de quem acabará de aprender uma nova tarefa, ser feliz e boa na profissão que escolheu.
E foi naquele breve, longo dia, no caos de Agosto que Anne, se organizou, se despediu, agradeceu, simplesmente fez as malas, e com toda coragem voou.



Boa Sorte, Anne!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Duda


Menina-mulher, alegre, sensível, romântica, talentosa, sonhadora, meio preguiçosa, bagunceira, chorona, compreensiva, essa era Duda uma vizinha-amiga, que tive quando morava na grande São Paulo.
Na época em que tínhamos contato Duda estava com 18 anos e eu com 15, me lembro das inúmeras vezes que nos encontrávamos na pracinha da igreja, comprávamos pipoca de Seu Zé e nos deliciávamos trocando filosofias cotidianas, íamos no período da tarde e ficávamos até as estrelas darem seus primeiros sinais de luz.
Um dia em uma de nossas idas a praça Duda estava muito triste, tentei conforta-la de alguma forma, mas não sabia certamente que palavras dizer, resolvemos sentar em um banco, após um instante de silêncio, Duda engoliu o choro e resolveu falar:
"Até então achava que saber compreender as pessoas era um ato bom, mas acho que me enganei, cansei de dizer 'tudo bem' pra tudo e pra todos na realidade nada está 'bem', isso talvez seja só um refugio na hora de não querer magoar, ai lhe pergunto: do que adianta? Se no final quem acaba magoada sou eu mesma. No entanto, uma coisa eu deixo claro e que aprendi, muitas vezes esperamos das pessoas o que somos, é ai que mora o perigo..."
Abracei Duda com toda minha força e carinho, era o que podia e o que conseguia fazer naquele momento, sua respiração estava ofegante e percebi que era impossível engolir algo que precisava sair. Depois de alguns minutos abraçadas, Duda deu um breve sorriso, como céu que acabará de chover e lá de longe já se podia avistar um lindo arco-íris, levantamos, compramos pipoca de Seu Zé e fomos pra casa com um baú de memórias daquele dia, e um pouco de compreensão no olhar...